O site da Senhor LowCarb Blog utiliza cookies. Saiba mais sobre nossas Políticas de Cookies clicando aqui. Ao navegar você concorda com a sua utilização.
Saiba mais sobre os cookies em nossa Advertência Jurídica e Políticas de Privacidade

Seu Perfeccionismo Mata – Ou The Fifty Pounds Law

Thumb Seu Perfeccionismo Mata – Ou The Fifty Pounds Law

Quantos de nós já ouvimos coisas acerca da dieta low carb como: “na low carb só pode bacon artesanal, bacon de supermercado tem açúcar!” (haja paciência…). Beterraba e cenoura têm muito açúcar, então não são low carb” (hã?!). E a minha preferida no ranking de frases estúpidas acerca da low carb: “frutas low carb são só abacate, limão e coco” (!!!).

Paciência tem Limite!

Se o pessoal que pensa assim simplesmente levasse isso para o seu próprio estilo de vida e sofresse sozinho, que nem os monges tibetanos isolados lá no Himalaia onde não tem sal rosa, na sua própria bolha de clausura, eu nem ligava. Sério mesmo. Porque eu acho que cada um é feliz andando na sua própria medida. Naquilo que crê como verdade. O problema é que são justamente estes radicais os mais chatos nas redes sociais. Fazem de tudo para que os outros pensem igual a eles. E isso, sim, me deixa muito chateado.

Digamos que eu chegue para você e diga: “olha, em 2018 não vou mais comer carne e vc também não devia mais comer, quem come carne é do demônio!” A primeira coisa que você está autorizado(a) desde já a fazer é me xingar muito, no twitter e aqui também. Mas, por outro lado, se eu te disser que não vou mais comer carne por opção minha, o mínimo que mereço em troca é respeito e tolerância. Mesmo que você não concorde comigo. Correto? Pois bem.

O “defeito chique”

Agora, eu gostaria que os defensores mais radicais da alimentação low carb entendessem uma coisa. Por mais que eles façam isso acreditando que estão fazendo o bem, essa postura não ajuda em nada. Sério mesmo. Porque o perfeccionismo é algo tóxico, frustrante e desmotivador. Algumas pessoas acham chique dizer que são perfeccionistas. Que não conseguem entregar algo até que esteja deslumbrantemente perfeito (quem aí já mandou essa na entrevista de emprego?!). Mas, pra falar a verdade, não devíamos sentir nem uma pontinha de “orgulho” em dizer que somos perfeccionistas. Devíamos, ao contrário, lutar com unhas e dentes contra esse comportamento destruidor e autodestrutivo.

Destruindo sonhos e desejos

Quando alguém interessado em começar a seguir a low carb entra num fórum ou grupo de Facebook sobre o tema, ele ou ela se sente mais ou menos assim: “nossa, a galera desse grupo aqui estuda mesmo! Não vou perguntar nada, para não passar atestado de burro”. Então a pessoa fica ali, na moita, lendo um comentariozinho aqui, outro ali, dando uma curtida num post que achou bacana e etc. Depois de algumas semanas, o(a) novato(a) toma coragem e faz a sua primeira publicação. Geralmente algo do tipo: “estou muito feliz! Comecei a low carb há 7 dias e já se foram 4kgs! Almoço de hoje foi abóbora, feijão, carne e muita salada. Quem precisa de arroz?” Pior ainda quando a pessoa publica a foto do prato, toda contente. Dá até dó…

A enxurrada de críticas negativas é massacrante. TODO MUNDO prefere criticar o feijão e a abóbora no prato da coitada, em vez de elogiar o consumo de salada e a eliminação do arroz (o que já é uma vitória enorme). Já cheguei ao cúmulo de ler comentários do tipo: “sei que é difícil de seguir [o estilo mais rígido], mas a dieta não pode sofrer.” Miga, sua loka, dieta não “sofre”! Mas a pessoa do outro lado da sua tela, essa sofre bastante com a sua babaquice!

Tá, mas o que tem a ver o c* com as calças?

Outro dia descobri um blog bem legal, do qual recomendo fortemente a leitura: é o Mundo Raiam (mas não é pra ler agora, acessa depois, pô!) Nesse blog, há alguns dias eu li um texto genial, que o Raiam publicou com o título de “A Lei dos 20 Quilos”. Você deve estar curioso com o que tem a ver com tudo que falei até agora; calma que já estamos chegando lá!

Na postagem do Raiam, fui apresentado a uma história muito bacana que comprova uma frase que eu sempre repito à exaustão: Feito é melhor do que Perfeito. A história é a seguinte, exatamente como li no artigo publicado lá no blog do Raiam:

A tal Lei dos 20kg (ou 50 Pounds Law)

Numa parte do Art & Fear [livro que o autor do blog leu e está citando], o autor fala sobre um case-study de um professor de arte lá dos Estados Unidos que decidiu fazer um “experimento social” dentro de sua aula de argila.

Ele pegou a turma e dividiu ela em dois grupos. No primeiro grupo, a ordem era a seguinte:

“Vocês têm 3 meses para entregar o melhor vaso de argila possível. Sua nota depende da qualidade dessa vaso”

Com esse primeiro grupo, o foco era na obra-prima, no detalhe, na perfeição. Com o resto do pessoal, ele decidiu inovar um pouquinho:

“Vocês têm 3 meses para entregar 20 quilos [50 libras, no original] de vasos de argila. Não importa se os vasos estiverem feios ou bonitos. Se você chegar me entregar 20 quilos de arte, você vai receber a nota máxima e ponto final”

Passou 3 meses, ele distribuiu as notas e teve a seguinte conclusão: todas as “obras-primas” vieram do grupo dos 20 quilos.

Como assim, cara? Por que a “qualidade” veio daqueles que não tinham qualidade como objetivo?

 Simples: repetição gera maestria.

A Lição que Eu Tiro Disso

Incrível, não? O grupo a quem foi dada a tarefa de produzir mais vasos, independente da qualidade, foi o que conseguiu produzir os melhores trabalhos. Já o grupo a quem foi dada a missão de fazer o vaso “perfeito” ficou tão paralisado com o planejamento que executou pouco. Resultado: não desenvolveu a habilidade necessária, e consequentemente não atingiu a maestria. Essa história verídica pode simplesmente ser resumida com aquela velha máxima de “a prática leva à perfeição”. Mas, para mim, o verdadeiro poder da história é te mostrar o efeito da “não-prática”. Se a prática vai te levar à perfeição, a ausência da prática simplesmente não vai te levar a lugar nenhum.

Obs.: o episódio se chama “Fifty Pounds Law” em inglês porque, no original, o professor encomendou ao segundo grupo de alunos a produção de 50 libras de vasos de argila. Nos EUA e na Inglaterra eles basicamente usam outra unidade de medida para tudo. São polegadas ao invés de centímetros, milhas ao invés de quilômetros, libras ao invés de quilos e por aí vai. Como cada vaso de argila pesava uma libra ou um pouco mais, a segunda parte da turma teria que produzir de 45 a 50 vasos em 90 dias. Traduzindo para o português e fazendo a conversão, 50 libras seriam mais ou menos 22,7 quilos. Mas, pra ficar mais bonitinho, o autor lá do outro blog arredondou para 20 quilos. Entenderam?

Resumindo…

Fazer 50 vasos de argila (bonitos ou feios) em 90 dias era uma tarefa mais fácil ou mais difícil do que produzir um único vaso excelente no mesmo período? Provavelmente mais difícil. Mas perceba que o fator de diferenciação não estava na dificuldade da tarefa. Estava, sim, no “colocar a mão na massa”. Quando colocamos na cabeça que aquilo que iremos fazer precisa sair perfeito, torna-se muito mais difícil executar a tarefa. Já quando simplesmente internalizamos a necessidade de fazer, mesmo uma tarefa grandiosa se torna mais fácil.

Quando somos perfeccionistas ao extremo, muitas vezes ficamos travados sem conseguir sair do lugar. Muitos não têm força nem para começar. Ficam pensando no quão ruim será o resultado se tentarem. E qual é o resultado? Simplesmente não tentam. Não tentam fazer academia. Não tentam falar com aquele(a) garoto(a) que acham bacana. Não tentam começar a seguir a low carb. E assim o nosso perfeccionismo doentio pode até matar (apesar do exagero do título ser uma piada), pois mantém pessoas sedentárias e obesas exatamente onde elas estão. E o pior: dá a elas munição para continuar pensando: “é difícil demais mudar, não vou nem tentar”.

Abandone o Perfeccionismo

Da próxima vez que os seus dedos coçarem pra escrever uma crítica à dieta de alguém, ou à foto do prato de uma pessoa comendo algo que VOCÊ não gosta ou não quer comer, lembre-se da lei dos 20 quilos. Lembre-se que FEITO É MELHOR DO QUE PERFEITO. E lembre-se que a prática leva à perfeição, mas a falta de prática não leva a lugar nenhum!

Envie seu comentário:

Você também pode gostar:



Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE